quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Plano de Aula - Psicopatologia


 

Plano de Aula - Psicologia 2014/1

Docente: ROSELI MARIA RODELLA DE OLIVEIRA

Disciplina:PSICOPATOLOGIA                                                                                                                                                                                             
Período: 4º
Dia(s) de aula: terça (2º horário) e quinta (1º horário)  
Carga Horária: 80h/a                                                               
Avaliação do 1º Bimestre 2
5/03/14                                                                                
Avaliações de 2ª chamada
03/06/14
Avaliação do 2º Bimestre 15/05/14                                                                                                                                             

Exame Final 10/06/14                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

Nº de aulas
Dia
Conteúdo Programático
Atividade
Recurso
02
21/01
Apresentação do programa da disciplina
Introdução ao estudo da Psicopatologia
 
Plano de Aula
 
04
23/01
conceito, principais escolas e objeto da psicopatologia
 
Data Show
06
28/01
Princípios de Nosologia e Nosografia: crítica às diversas concepções.
Debate
Ler o texto: c2
08
30/01
História da Psiquiatria
 
Data Show
10
04/02
História da Psiquiatria
Entregar resumo -  Cap. 3 Funções psíquicas e sua psicopatologia
 
12
06/02
As funções psíquicas e suas alterações
 
Data Show
14
11/02
As funções psíquicas e suas alterações
 
Data Show
16
13/02
As funções psíquicas e suas alterações
 
Data Show
18
18/02
Classificações nosográficas - principais quadros clínicos psiquiátricos: CID-10 / DSM-IV / DSM-V
 
Data Show
20
20/02
CID 10
 
Data Show
22
25/02
CID 10
 
Data Show
24
27/02
CID 10
 
Data Show
26
06/03
DSM-IV / DSM-V Aproximações e diferenças e alcances e limites.
Debate
Ler os textos c.1 e c.3
28
11/03
DSM-IV / DSM-V
 
Data Show
30
18/03
DSM-IV / DSM-V
 
Data Show
32
20/03
DSM-IV / DSM-V
 
Data Show
34
25/03
AVALIAÇÃO DO 1º BIMESTRE
 
 
36
27/03
O processo diagnóstico – estrutural, diferencial e sintomatológico.
 
 
38
01/04
A avaliação clínica e o exame psíquico ou mental.
 
 
41
03/04
Diagnóstico diferencial
 
Obs: Aula inicia 18h
43
08/04
Classificações dos quadros clínicos: as grandes síndromes psiquiátricas.
Classificações dos quadros clínicos: a clínica estrutural:
 
Data Show
45
10/04
A clínica estrutural: Neurose  - Histérica, Fóbica e Obsessiva.
 
 
47
15/04
A clínica estrutural: Neurose  - Histérica, Fóbica e Obsessiva.
Assistir o filme
Filme: O homem dos ratos Neurose Obsessiva e o Discurso do Rei
50
17/04
A clínica estrutural: Psicose: Autismo, Esquizofrenia, Paranoia e Melancolia.
 
Obs: Aula inicia 18h
52
22/04
A clínica estrutural: Psicose: Autismo, Esquizofrenia, Paranoia e Melancolia.
Assistir o filme
Filme: Peripatético e Mrs Jones
54
24/04
A clínica estrutural:. Autismo, Esquizofrenia, Paranoia e Melancolia.
Assistir o filme
Filme: O senhor do labirinto
56
29/04
A clínica estrutural: Perversão. Fenômenos psicossomáticos, adição e casos inclassificáveis.
 
 
59
06/05
Prognóstico clínico.
 
Obs: Aula inicia 18h
61
08/05
Conduta terapêutica.
Debate
Ler o texto: c4
63
13/05
Apresentação e discussão de Caso Clínico
 
 
65
15/05
AVALIAÇÃO DO 2º BIMESTRE
 
 
68
20/05
Apresentação e discussão de Caso Clínico
 
Obs: Aula inicia 18h
70
22/05
Apresentação e discussão de Caso Clínico
 
 
72
27/05
Apresentação e discussão de Caso Clínico
 
 
74
29/05
Caso Clínico - Entrega de notas
 
 
76
03/06
AVALIAÇÕES DE 2ª CHAMADA
 
 
78
05/06
Caso Clínico - Entrega de notas
 
 
80
10/06
EXAME FINAL
Encerramento da disciplina
 
 

I-         ATIVIDADES -  VALE NOTA.

a)   RESUMO:

 Entregar dia 04/02 – Cap. 3 Funções psíquicas e sua Psicopatologia p. 33 a 52 - LOUZÃ NETO, M.R. et. all. Psiquiatria básica. ed., Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

b)   FILMES:

Assistir para debate em sala - Mr. Jones (Bipolar), O senhor do labirinto (Esquizofrenia pananóide), Cisne negro (Psicose), Peripatético - (melancolia) O homem dos ratos (Neurose Obsessiva), http://cafepsi.blogspot.com.br/2012/04/filme-o-homem-dos-ratos.html, Discurso do Rei (Fobia social), Uma mente brilhante (Psicose), Spider (Psicose),  O Inquilino (Psicose), Hannibal (Perversão) ; O silencio dos inocentes(Perversão); Temos que falar sobre Kevin (Perversão).

c)    LER OS TEXTOS PARA DEBATE EM SALA :

c.1) A produção da doença - Vladimir Safatle - http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2013/05/1278102-a-producao-da-doenca.shtml; para 06/03


c.3) Acordei doente mental - Eliane Brum  - http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/05/acordei-doente-mental.html --para 06/03

c.4) Antidepressivos sem terapia não têm efeito - Redação do Diário da Saúde - para 08/05

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=antidepressivos-sem-terapia-nao-tem-efeito&id=8605#.UqzVhIpR2Ks.facebook

II-       PROGRAMAS, TEXTOS E INFORMAÇÕES DA DISCIPLINA NO BLOG:  http://roselirodella.blogspot.com.br/ 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

“DSM IV: O “Mr Donald s” da Psiquiatria” - Antônio Beneti


“DSM IV: O “Mr Donald s” da Psiquiatria”

( ou O SINTOMA : A GLOBALIZAÇÃO, A PSIQUIATRIA E A PSICANÁLISE)
 
Antônio Beneti

                                              

1)    COMO SE PSIQUIATRIZA HOJE?

 
     Talvez  pudéssemos responder, sem grandes margens de erro – malgrado uma ênfase caricatural colocada nesse texto, da realidade da assistência psiquiátrica hoje – que para os psicóticos dão-se butirofenonas e fenotiazínicos; para os deprimidos dão-se antidepressivos e, para os ansiosos e/ou fóbicos dão-se ansiolíticos e/ou antidepressivos, mesmo com algumas variáveis nos três grupos farmacológicos.

     Pronto! Tratamos tudo.

 
2)    COMO SE PSIQUIATRIZAVA ANTIGAMENTE?
 

         Não tão velho assim lembro-me bem de que há pelo menos 25 anos as coisas aí eram diferentes. Lembro-me bem das entrevistas e exames dos pacientes nas enfermarias quando meu preceptor do curso de especialização em psiquiatria dedicava-se à clínica diferencial entre paranóia e parafrenia, entre hebrefenia e debilidade mental, entre histeria e esquizofrenia, entre depressão neurótica e depressão psicótica, entre melancolia e depressão psicótica, entre depressão reativa e depressão num quadro orgânico, etc..

        Debruçava-me então, sobre os grandes tratados de psiquiatria de Bleuler, Kraepelin, Kurt Schneider, Kretschmer, Karl Jaspers, Henri Ey, etc.

        As entidades clínicas eram minuciosas e criteriosamente diagnosticadas à partir de toda uma referência à psicopatologia fenomenólogica. No Brasil, seguramente na formação do psiquiatra a escola alemã de psiquiatria é predominante.

        Então, escutemos bem: o significante diferencial – diferença – dava o prumo, vetorizava toda uma orientação clínica quanto ao diagnóstico e a terapêutica.  Na época, jamais uma depressão neurótica era tratada com eletrochoque ou antidepressivos. A orientação era: “para os neuróticos ansiosos ou deprimidos, em crise ou não a indicação é psicoterapia. Só em situações extremamente graves vocês dêem ansiolíticos”.

        Ou seja, para os neuróticos a proposta era de uma experiência de tratamento pela palavra. Não importava, no caso, se era uma orientação analítica ou não. Privilegiava-se a palavra, sabia-se que as coisas teriam que partir daí e se decidirem nesse campo. Estava em jogo a história de cada um.

        Havia algo mais além do biológico, de um corpo doente ou doente-corpo a ser investigado ao nível de seus sintomas e a se ter como ponto de aplicação: buscava-se escutar algo de relação do paciente com sua família, com os amigos, com o Social... Tinha uma história em jogo mais além dos sintomas observáveis pelo relato ou, evidenciáveis ao olhar, na atitude e comportamento do paciente. Antecipemos aqui o que não sabíamos então: o sujeito do inconsciente no doente.

      
     Poderíamos dizer de uma clínica da escuta do singular, no que se refere a esse sujeito, numa clínica do olhar?   

Passando pelos clássicos da psiquiatria francesa e alemã teremos o estabelecimento de uma clínica psiquiátrica que encontrará como sua herdeira a clínica psicanalítica.

      Onde tivemos então, nesse percurso uma clínica do particular onde se deu a passagem das síndromes, das “fachadas psíquicas” para as entidades nosológicas. O que temos hoje na clínica psiquiátrica?

Voltemos ao nosso primeiro ítem:

“Como se psiquiatriza hoje?”

       Teríamos hoje um desaparecimento da clínica psiquiátrica com a exclusão da dimensão do enigma dos fenômenos clínicos, das particularidades de cada doente e o desaparecimento das entidades clínicas em prol de síndromes chamadas “transtornos” ?

      Torna-se necessário tornarmos como paradigma da psiquiatria de hoje a dita psiquiatria biológica.

        
3)    A psiquiatria biológica, os psicofármacos e o DSM-IV.

   O DSM IV, guia/código de classificação das doenças no campo da psiquiatria, estabelecido pelos norte-americanos, pela psiquiatria dos E.U.A é o paradigma, no campo “psi” do que chamamos globalização, a “bússola”dos psiquiatras ditos “biológicos”.

   Com o advento dos psicofármacos e os recentes avanços da neuroquímica cerebral o discurso da ciência estrutura e sustenta solidamente a prática psiquiátrica hoje. E com o DSM-IV, um catálogo de sintomas e síndromes ditos estados e/ou transtornos agudos ou crônicos pretensamente universais, de uso universalizado, transforma o paciente num objeto totalmente qualificável e mensurável suporte de próteses químicas corretivas, ortopédicas, quando algum “defeito” se apresenta visível ao nível de sua aparência ou comportamento, movimentação, diante dos outros. Aí qualquer simples consideração da função de tais estados da neurose e na psicose não encontra lugar. O “deprimido” tal qual um triste “borderline” vem por sua vez confortar a ilusão de uma comunidade de sujeitos agrupados por um mesmo sintoma eliminadas todas considerações relativas à etiologia, endógena ou exógena, reativa ou não ( S. Cottet – “A bela inércia”- in Transcrição – Rev. da  Clínica Freudiana – Bahia)

  Assim, nesse discurso, o psiquiatra, na posição de agente, representado pelos psicofármacos, aí colocados enquanto um “Saber-pronto-para-uso” a ser aplicado sobre o outro, o paciente, enquanto “objeto-corpo-biológico” forclui totalmente  a palavra, a fala, e consequentemente a possibilidade de emergência dos significantes que representam o sujeito do inconsciente, na singularidade de cada um e consequentemente qualquer clínica diferencial não quantitativa.

  
Psicofármacos                                       paciente

                                     S2                                                            a



   Longe de ir contra os avanços da neuroquímica cerebral e o conseqüente uso de psicofármacos em determinadas situações o interessa aqui, enquanto algo a ser criticado, é a posição do psiquiatra diante da fala do paciente, com total exclusão do sujeito do inconsciente. Ou seja, seria a mesma coisa um paciente deprimido ser medicado por um psiquiatra sem escuta analítica ou por um psiquiatra com escuta analítica?

   É nesse contexto que a depressão neurótica e psicótica tidas classicamente como entidades clínicas distintas perdem esse estatuto em prol de síndromes classificadas enquanto estados ou transtornos do humor, depressivos, mensuráveis por sua intensidade e duração. Não interessa a origem das mesmas. Se para o psicanalista a depressão não se constitui enquanto uma estrutura clínica isolada e ( nem um estado) sim numa posição do sujeito na sua relação com o Outro isto não o exime de buscar em cada um os acontecimentos que determinaram esse mal estar e sofrimento seja na estrutura neurótica ou na psicótica. E , sempre encontrará algo determinante sempre inserido na história do sujeito em sua relação com o Outro do significante e da Lei. Ou seja, no universal da depressão  torna-se necessário incluir aí um “menos um” da singularidade, da particularidade da história de cada sujeito ( vale o mesmo para as impotências eretivas penianas( as impotências sexuais masculinas) onde a ciência alardeia agora a cura “para-todos-os-casos” com o Viagra( medicamento recém lançado nos EUA)).
 
                                                                               (U)

                                                           Universal


                               Matema da psiquiatria biológica


Matema da globalização e da globalização do sintoma(DSM IV)

  
Não é o que ocorre na psiquiatria hoje.

   Verdadeiro ”esperanto” psiquiátrico a linguagem psiquiátrica biológica universaliza os deprimidos de quaisquer nomes, raças, credos,territórios e contextos. Dentro de um “não-quero-saber-nada-além-de-um-quantum-depressivo” o psiquiatra biológico consulta seu catálogo e se guia na sua receita cuidando para “não errar a mão no tempero” de tal forma que o “sabor” seja reconhecido em qualquer lugar do planeta terra por todos e por qualquer um tal como um sanduíche “Mc. Donald’s “capitalista ou comunista, dos EUA ou da Rússia. Tanto faz! É a mesma droga em todos os lugares!

   Mas, esquecem-se esses aficcionados, que alguém pode preferir o sanduíche “fora- de- série” do botequim da esquina feito sem receita universal, “com o tempero do cliente”que participa com sua fala na elaboração do mesmo.

   Oriundos da formação psiquiátrica clássica e com orientação psicanalítica a partir do ensino de Lacan não se pode esquecer ou forcluir um princípio básico do que se resolveu chamar “Moral lacaniana”: “tem um sujeito no doente! “.

   O que poderia determinar, se levado em consideração , por alguns psiquiatras o esforço de construção de “uma outra clínica psiquiátrica” calcada nesse princípio ético que a moral lacaniana aponta e onde teríamos o matema da clínica a norteá-la:

 

( U-1)

Matema da clínica

                                  Matema da clínica psicanalítica

 

   Por outro lado, é com esse matema norteador da clínica psicanalítica que o psicanalista deverá se sustentar no seu discurso em oposição ao discurso da globalização, aqui, do sintoma, e que pretende escrever o sintoma, ao mesmo tempo designado o sujeito, com apenas um significante: um S1.


Ou seja, o sujeito passa a ser designado – e , não mais representado por um significante – pelo significante do seu sintoma.

Assim, teríamos no discurso da globalização um: “você é deprimido!”, “você é anorética!”, “você é toxicômano!”, “você é impotente...””você é um S1”.

Ao que o psicanalista deveria responder com o seu matema desdobrando o –1( menos um) no matema correspondente à posição do sujeito em relação à falta no campo do Outro, à castração, visando a determinação da estrutura( neurótica, psicótica ou perversa) recoberta pelo S1.

Teríamos, então, por exemplo, a Síndrome do pânico:

 

Síndrome do Pânico= U= Universal = sintoma globalizado =S1


Menos Um= -1= singular = sujeito nas estruturas = obsessivo, histérico, perverso, fóbico ou psicótico = fantasma ( S    a) ou Oo.

 Isso, sem nos determos, ainda, em uma “clínica das suplências”.  

domingo, 12 de janeiro de 2014

Antidepressivos sem terapia não têm efeito

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=antidepressivos-sem-terapia-nao-tem-efeito&id=8605#.UqzVhIpR2Ks.facebook


27/02/2013

Antidepressivos sem terapia não têm efeito, alerta pesquisador

Redação do Diário da Saúde


Cérebro e Mente

Os médicos precisam reconsiderar a forma como estão prescrevendo antidepressivos.

Os estudos mais recentes vêm mostrando que os antidepressivos restauram a capacidade de determinadas áreas do cérebro a fim de contornar rotas neurais cujo funcionamento não está normal.

Mas essa mudança no "hardware" do cérebro só trará benefícios se houver uma mudança no "software" - na mente  do paciente - algo que não é suprido pelos antidepressivos, só podendo ser alcançado mediante a prática, psicoterapia ou terapias de reabilitação.

O alerta contundente está sendo feito pelo renomado neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque (Finlândia).

Plasticidade cerebral

Trata-se de uma posição surpreendentemente franca, principalmente vinda de um neurocientista respeitado mundialmente.

Afinal, milhões de pessoas em todo o mundo tomam antidepressivos seguindo receitas de seus médicos, e as empresas farmacêuticas têm faturado bilhões de dólares vendendo essas drogas.

Será então que um sistema tão amplamente aceito poderia estar totalmente errado?

É exatamente isso que mostram estudos recentes na área.

Pesquisas em modelos animais demonstram que os antidepressivos não são uma cura por si sós.

Em vez disso, o seu papel é o de restaurar a plasticidade no cérebro adulto.

Os antidepressivos reabrem uma janela da plasticidade cerebral, que permite a formação e a adaptação de conexões cerebrais através de atividades específicas e observações do próprio paciente, de forma semelhante a uma criança cujo cérebro se desenvolve em resposta a estímulos ambientais.

Reconectando as ligações do cérebro

Quando a plasticidade cerebral é reaberta, problemas causados por "falsas conexões" no cérebro podem ser tratadas - por exemplo, fobias, ansiedade, depressão etc.

A equipe do Dr. Castrén mostrou que os antidepressivos sozinhos não surtem efeitos para esses problemas, enquanto a psicoterapia sozinha obtém resultados de curta duração. Quando antidepressivos e psicoterapia são combinados, por outro lado, obtém-se resultados de longa duração.

"Simplesmente tomar antidepressivos não é o bastante. Nós precisamos também mostrar ao cérebro quais são as conexões desejadas," disse o pesquisador.

A necessidade de terapia e tratamento medicamentoso também pode explicar porque os antidepressivos às vezes não têm efeito. Se o ambiente e a situação do paciente permanecerem inalterados, a droga não tem capacidade para induzir mudanças no cérebro, e o paciente não se sente melhor.

O estudo de Castrén chamou a atenção das autoridades de saúde europeias, que lhe derem um financiamento de €2,5 milhões para detalhar suas descobertas.

domingo, 20 de outubro de 2013

FREUD: "O ARTISTA É AQUELE QUE MAIS SE APROXIMA DO INCONSCIENTE E DOS LOUCOS"


http://causasperdidas.literatortura.com/2013/10/18/arthur-bispo-do-rosario-a-salvacao-pela-arte/

Arthur Bispo do Rosário: a salvação pela arte


Artista contemporâneo e sergipano reverenciado no seu tempo, Bispo foi imortalizado pela atemporalidade da arte. A arte contemporânea enseja desconstruções de concepções para a abertura do desaprendizado instigante de significações, ou seja, a arte contemporânea “não fornece respostas, ela problematiza, inquieta… Há articulações de questionamentos possibilitando pluralidade de leituras’’, evidenciando o que Bispo do Rosário ressoou com suas rupturas estéticas e perturbadoras.
Experimentou-se dentro dos muros de instituições psiquiátricas, principalmente na Colônia Juliano Moreira (diagnosticado como esquizofrênico paranoide), depois de perambular, por dias, pela Igreja da Candelária e Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, proferindo a salvação e julgamento dos vivos e mortos pela sua determinação; começando esse seu primeiro surto após ouvir vozes de anjos o consagrando como Jesus Cristo, numa data bastante simbólica; meia-noite de 24 de dezembro de 1938. Durante cerca de cinco décadas nessas instituições (entre idas e vidas, ficando ininterruptamente por uns 25 anos), Bispo imergiu na arte como forma de resistência à condenação da loucura instituída. ‘’A arte de Arthur Bispo do Rosário é um aspecto de lucidez, parte de uma necessidade’’, como disse o ator João Miguel, que interpretou o artista na peça ‘’O Bispo’’, 2001-04, em São Paulo.
Circunscrito por fissuras, o passado de Arthur Bispo é repleto de especulações, já que era negado por ele mesmo, ‘’Um dia, eu simplesmente apareci pelos braços da Virgem Maria’’, disse certa vez. Não se sabe precisamente o ano do seu nascimento, se foi 1909 ou 1911, mas a especulação majoritária mostra que Bispo necessitou alterar seu ano de nascimento para poder ingressar na Marinha, onde permaneceu, aproximadamente, dos 15 aos 23 anos.
Na Colônia Juliano Moreira, Bispo, por ter aprendido boxe no período em que foi marinheiro, estabeleceu uma cumplicidade com os funcionários da instituição, tornando-se ‘’xerife’’. Com poderes concedidos pela sua argúcia, ele repreendeu e controlou os pacientes que geraram alvoroço. Auxiliando nas tarefas cotidianas. Forjou-se de autoridade, e com isso conquistou o respeito dos funcionários e pacientes.
Quando Bispo tinha 72 anos, em 1982, o crítico de arte Frederico Moraes, organizador da exposição com artistas catalogadas pela sociedade como marginais, já que buscou expor a arte daqueles considerados ‘’inumanos’’, aglutinou o conjunto artístico de Rosário na exposição ‘’À Margem da Vida’’, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, sendo esta a primeira e única exposição com o aval do artista sergipano em vida.
A reinvenção perpassou sua obra, já que o desutilizado, descartado, o que servia só para o lixo, para Bispo, era poesia visual. Ele colocou expressão nos restos, resignificando-os nas criações surgidas de desconstruções; transfigurou objetos. Sem as convenções dos métodos das artes plásticas, Arthur se configurou, pelos eruditos das artes, como artista de vanguarda, por ser inovador de desutilidades, de forma emblemática. Ele foi o ‘’rebelde’’ dos objetos; compulsivo e obsessivo por eles, como uma forma de colecionismo, oferecendo o revesso do concebido originalmente. Bispo criou e recriou suas peças dentro do seu alojamento que mais parecia uma instalação, permeado por explosões divinas, já que se autoproclamou o messias, vendo na sua internação o reconhecimento disso. Alheio a toda estratificação da arte, sua poética era intuitiva. Sendo ‘’uma situação no mínimo instigante: a linguagem que o coloca num patamar de vanguarda é a mesma que está na base da realização artística primordial no processo civilizatório, que ocorre mediante a coleta de conchas, de penas de ave, de pedras e outros recursos rochosos.’’
Sua arte, para ele, não era classificável como arte, pois construiu universos simbólicos por obrigação divina; como salvação. Como poetizou Manoel de Barros, no Livro Sobre Nada (1996):
‘’Arthur Bispo do Rosário se proclamava Jesus. Sua obra é ardente de restos: estandartes podres, lençóis encardidos, botões cariados, objetos mumificados, fardões de Academia, Miss Brasil, suspensórios de doutores. Descobri entre seus objetos um buquê de pedras com flor. Esse Arthur Bispo do Rosário acreditava em nada e em Deus’’
A complexidade da arte de Rosário leva a discussões paradoxais sobre como defini-lo – louco ou gênio? -, configurando-se conceituações simplistas, que não abarcam a dialética. ‘’Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam sempre a dois metros do chão’’, como o artista poetizou. Uma marca inextinguível da arte é a distinção e/ou junção do enquadramento de louco e/ou gênio. O mundo artístico, por vezes, recheado dessas figuras instigantes, como o artista francês Antonin Artaud (1896-1948), que articulou o ‘’Teatro da Crueldade’’ – como representação da crueldade da sociedade, do ser humano, em seu âmago -, passando por vários manicômios, durante anos, ficando 9 anos ininterruptamente Para Sigmund Freud, ‘’O artista é aquele que mais se aproxima do inconsciente e dos loucos’’. E sobre o louco disse: ‘’A formação delirante que julgamos ser uma produção patológica é, na verdade, uma tentativa de cura, um processo de reconstrução’’.
A palavra: mar fluindo nas peças ornamentadas de Bispo e seu mundo reconstruído (ou desconstruído). Tecendo palavras cheias de sentido próprio, ou revivendo pela palavra bordada a experiência do seu primeiro surto (o de 1938) altivo em sua arte, como nos mantos, estandartes… Peças que se figuraram como livros. Há em Rosário a necessidade de registros. A peça ‘’434 – como é que devo fazer um muro’’ é um pedaço de madeira inventado de palavras; uma miniatura do mundo (era frequente, em Bispo, apequenar o mundo com restos).
O brado retumbante da obra de Bispo é uma miscelânea, na qual se pode identificar uma fenda axial em grande parte de sua arte; a religiosidade. As significações atribuídas a sua vida e, conseguentemente, sua arte foram embasadas nesses arcanos da religião, como em sua peça mais famosa, o ‘’Manto da Apresentação’’, uma vestimenta ‘’sagrada’’ para ser envergada pelo artista no infalível Juízo Final. Essa peça é adornada (emanharada), entre outros aspectos, de nomes bordados, os nomes – pessoas – que seriam salvas (bordou, com certa frequência, nomes em suas peças, como modo de salvar as pessoas que o reconheciam como Jesus). Podendo-se considerar essa peça a sublimação de sua vasta poética. A morte envolveu permanentemente Bispo, mas não de maneira histérica, atormentada, e sim como a via inevitável de conexão genuína com Deus, com toda a benevolência do artista que criou para Deus.
Arthur Bispo do Rosário morreu em 1089, e seu acervo é conservado no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, localizado onde era a instituição Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

Revisado por Luisa Bertrami D’Angelo

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

NEUROCIÊNCIA

 

“Neurociência para tudo é bobagem”

 http://charlezine.com.br/neurociencia-para-tudo-e-bobagem/#print

Raymond Tallis
A revista Galileu entrevistou o filósofo britânico Raymmond Tallis, que critica a moda entre os cientistas de explicar qualquer aspecto do comportamento humano apenas lendo ondas cerebrais. Ter preconceito contra o tema é algo do qual ele não pode ser acusado, pois além de boa parte das suas quase 200 pesquisas tratar do cérebro, Tallis coordenou a construção do Centro de Neurociência de Manchester, na Inglaterra, e se transformou em um especialista mundialmente respeitado em doenças neurológicas em idosos.
Apesar disso, ele acha que essa conversa de “neuro” está indo longe demais. Médico, crítico literário e filósofo — e referência na Inglaterra nas três áreas —, Tallis diz que usar a atividade cerebral para explicar todos os aspectos do comportamento humano pode colaborar com um novo tipo de darwinismo social. Em seu livro Aping mankind (“Humanidade primata”, sem edição no Brasil), ele afirma ver riscos na volta da ideia, usada durante o nazismo, de que teorias científicas baseadas no cérebro podem ser usadas para formular leis e conceitos sobre ética.
Confira a entrevista na íntegra:
Por que estamos tentando explicar tudo pela neurociência?
Em parte por causa dos extraordinários avanços da área depois de mais pesquisadores terem acesso a equipamentos de ressonância magnética funcional [que tira “fotografias” da atividade do cérebro]. Eu mesmo fiz minhas contribuições para a neurociência. Só que essa evolução no entendimento do cérebro faz com que as pessoas confundam o fato de a atividade cerebral ser uma condição necessária para a consciência com a noção de que ela em si seria a própria consciência. É o que chamo de neuromania: achar que tudo que somos se deve ao cérebro e que a neuroatividade é a mesma coisa que nossa consciência.
Estamos enxergando a nossa mente como uma simples máquina?
Exatamente. Se passamos a achar que a consciência é apenas fruto de um conjunto de atividades cerebrais, basta compreender esses mecanismos para fazer nós mesmos funcionarmos melhor. Quem tem esse tipo de pensamento acha que a neurociência pode ser usada para fazer políticas sociais. Agora, dizem que não deveríamos nos preocupar com ideologia da direita ou da esquerda, mas com o que o hemisfério direito faz, ou com o que o hemisfério esquerdo coordena.
Mas há cientistas estudando drogas para mudar o comportamento, como a oxitocina.Só posso rir ao ouvir isso. Quando era estudante, a oxitocina era a substância responsável por fazer o útero contrair. Agora, as pessoas viram que ela tem efeito, em alguns roedores, de fazer eles ficarem mais fiéis aos outros. Mas não há a possibilidade de administrar essa droga e transformar todo mundo numa espécie de zumbi moral, isso é bobagem. Se parar para pensar, há um problema maior nas formas mais tradicionais de manipular a mente humana, como o álcool.
O fato de algumas substâncias poderem mudar nossas atitudes coloca em dúvida a noção de livre arbítrio. Pesquisadores dizem ser impossível encontrar evidências de que ele existe.
Eu acredito em livre arbítrio e a razão pela qual os neurocientistas não conseguem encontrá-lo é porque têm uma aproximação em terceira pessoa, ou um ponto de vista objetivo sobre isso. Eles nos vêem, inescapavelmente como objetos materiais num mundo material. Não há como ver livre arbítrio dentro disso. Se você retira o ser em primeira pessoa, a liberdade desaparece. Isso traz a questão de também um determinismo cultural. Pensadores sugerem que você só pode ter livre arbítrio se não há influências sobre você, incluindo as influências que vêm do fato que você nasceu de um jeito e não de outro. Você não escolheu ser de um jeito em particular. Na minha visão, o livre arbítrio não vem de três coisas. Uma é que nós somos, em substância, os autores das nossas ações, no sentido que elas não teriam ocorrido sem nós. A segunda, é que essas ações expressam nós mesmos. A terceira é que nós devemos refletir as causas dos eventos. Se você olha o que criamos coletivamente, nós criamos um mundo inteiro fora da natureza. Você nunca achará o livre arbítrio olhando com os instrumentos errados, que são os instrumentos da neurociência. Se você procurar pelo livre arbítrio no lugar certo, você o encontrará.
Quais são os instrumentos corretos?
Certamente não são scanners cerebrais. Para ver isso, devemos olha para o dia a dia. Se eu caio das escadas, isso claramente não é uma ação de livre-arbítrio como eu falar contigo. Se eu tenho um ataque epiléptico, isso não é uma ação livre do mesmo jeito que é escrever um livro sobre epilepsia. Nós podemos notar nos eventos que nos cercam que alguns são claramente expressão do mundo físico e biológico e outros são claramente diferentes disso. As minhas ações fazem sentido para mim dentro do tipo de pessoa que eu me tornei e que eu fiz eu mesmo me tornar por décadas. Veja o aprendizado. Eu aprendo me posicionando para adquirir os fatos com minha experiência. Animais não ensaiam as coisas, não praticam as coisas. Eles não se esforçam para adquirir comportamentos adaptativos. Simplesmente acontece. Isso é bem diferente de nós.
O que são as pseudo-disciplinas que você cita em seu livro?
Normalmente essas disciplinas são um híbrido usando “neuro” ou “evolucionário” e alguma coisa. Por exemplo, neurodireito, neuroestética, neurocrítica literária, ética evolucionária, teologia evolucionária… São pseudo porque a neurociência tem muito pouco a dizer sobre o objeto particular de seus estudos. Até quando a neurociência parece ajudar em algo relevante, é prematuro usá-la para tirar tais conclusões.
Em que situação é prematuro, por exemplo?
Pegue a neurociência usada em crítica literária. Alguns dizem que se realmente queremos entender a resposta de um leitor a um livro, precisamos olhar ao que o cérebro desse leitor faz enquanto ele lê. Você pode expor pessoas a sentenças individuais ou palavras e ver como o cérebro responde, se a palavra ativa áreas relacionadas a qualidades poéticas. Só que, na verdade, ler um livro está longe de ser uma resposta a uma série de estímulos associados com palavras. É se engajar com o mundo que está se abrindo na sua frente, questionar a posição do escritor, imaginar o que está acontecendo, ser um pouco crítico sobre a verossimilhança da história e pensar no que isso poderia te trazer sobre o mundo em geral. O leitor não é apenas um cérebro que está respondendo a algumas sucessões de estímulos discretos, é um ser que está respondendo no nível mais alto a um trabalho de arte extremamente complexo.
Mas e no futuro? Será possível ter uma conclusão só por dar uma olhada em complexos padrões cerebrais?
Quando temos um pensamento, nós conseguiremos um dia ter uma ideia completa e detalhada de qual é a atividade cerebral correspondente a um pensamento? Minha opinião é que não. Algumas vezes nesta manhã eu pensei: “Ah, vou ter uma conversa com aquele cavalheiro do Brasil”. Esse pensamento nunca tomou a mesma forma no meu cérebro duas vezes. Qualquer pensamento tem inúmeras possibilidades de formas de ser realizado dentro da nossa mente. Claramente, não há uma parte da atividade no meu cérebro correspondente a ter uma conversa com você hoje. Mas há uma questão ainda mais profunda nisso. Vamos supor que nós temos a capacidade de fazer estudos no meio da vida real, por exemplo, de alguém se sentindo enciumado porque a pessoa amada está saindo com alguém. Vamos supor também que nós possamos gravar cada pequena neuroatividade observada nessa situação real. O que temos? Nós temos a descrição de alguns neurônios sendo acionados e alguns não. Nós temos uma gigantesca base de dados de 0 ou 1 disso. Eu não tenho certeza que isso poderia me dizer qualquer coisa sobre o estado de estar apaixonado ou revelar alguma coisa para mim que eu já não soubesse da minha própria experiência ou de ler de experiências de outras pessoas.
Não seríamos capazes de interpretar esses dados?
Não nos levaria a lugar algum. Quebrar o nosso amor em partes que supostamente estariam relacionadas não nos levaria a nenhum lugar no entendimento do que é realmente o amor. É como descrever a minha jornada para um bar encontrar com meus amigos em termos de uma mecânica newtoniana, um monte de movimentos e a energia dispendida. Isso não iria mostrar nada sobre meu prazer em ver os meus amigos no bar.
Esse tipo de pensamento estaria reduzindo à nossa humanidade?
Certamente. Reducionismo está em tudo. E a manifestação mais óbvia de reducionismo está em reduzir o mundo ao redor a uma série de estímulos discretos. O que mais me impressiona são os estudos relacionados ao amor. Sandy Zacki and Ananda Spartels, por exemplo, expuseram voluntários a uma sucessão de fotos com pessoas das quais eles eram amigos. Depois, mostraram a eles fotos de pessoas pelas quais estavam apaixonados. Comparando as respostas dos cérebros aos estímulos, viram o que havia de “a mais” na paixão e concluíram que o amor era uma certa neuroatividade em determinada parte do cérebro. Só que estar apaixonado é muito mais do que responder a um estímulo físico. É algo incrivelmente complicado e o que a neurociência nos oferece sobre isso é apenas algumas sequências de áreas ativadas no cérebro ao se dar um estímulo.
Cresce o risco de determinismo biológico?
Sou ateu e humanista, mas há um trabalho espiritual e intelectual interessante que tem de ser feito para entendermos com profundidade o que somos. É um grande erro achar que, se não viemos de uma força sobrenatural como Deus, somos meramente parte da natureza, como animais. Há o risco de, quando as pessoas começam a falar de neuropolítica, pensarem em neurodireito para substituir procedimentos na corte com justiça biológica baseada em scannerscerebrais. Acho aí que entraríamos em sério perigo.
O dawinismo social está de volta?
É parte da minha preocupação essa maneira muito científica de ver a humanidade. A redução do ser humano a ondas cerebrais me lembra muito da convergência entre o pensamento pavloviano e do socialismo materialista no começo do século 20. A ideia de que nós precisaríamos de engenheiros de seres humanos, de que a ciência iria nos mostrar do que realmente somos feitos e que as nossas políticas seriam baseadas em ciência física real, etc. Esse tipo de cientificismo tem uma história muito triste no passado.
Você também critica o que chama de darwinites. O que é isso?
É a crença de que Darwin não apenas explica como o organismo do homo sapiens se transformou no que é hoje — o que certamente ele faz—, mas que explica também como somos e agimos atualmente. Há muitas pessoas que acham que, por causa de Darwin, temos que negar um abismo imenso que existe entre nós e outros animais. Isso está ligado à neuromania. Se você acredita que a mente é idêntica às ondas cerebrais e acredita que o cérebro é um órgão que evoluiu, então, certamente, acreditará que o nosso modo de pensar é apenas moldado pelo evolucionismo. Nossas ações e a forma como agimos, tudo seria a respeito de simplesmente maximizar a passagem de nosso código genético e nada mais. Isso coloca em risco a própria noção de livre arbítrio.
O que você sugere?
Olha, meu livro é bastante negativo. Parafraseando John Locke, meu trabalho é limpar a sujeira do caminho que leva até a verdade. Apesar disso, eu tento apontar no sentido de dizer que nós temos que fazer uma certa reavaliação radical do nosso pensamento, no sentido de pensar sobre o lugar da humanidade e da consciência humana na natureza. E temos de começar nos fazendo questões fundamentais sobre a relação com o material de que somos feitos. Há algo de interessante ocorrendo entre alguns filósofos que tentam escapar da noção de que a mente é a atividade do cérebro. E que o cérebro, como um órgão evoluído, é simplesmente o servente de um processo de evolução. Há algo de bom começando em termos filosóficos nessa área, mas está num estágio muito inicial e precisamos de um gênio para vir e pensar mais profundamente sobre onde nós estamos nessa discussão neste momento. E eu não sou este gêni
o.